saúde

Aumenta adesão à mamografia entre mulheres de 50 a 69 anos, aponta Vigitel

Levantamento mostra avanço do exame em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade
Por Agência Brasil 05/02/2026 - 07:02
A- A+
Divulgação
Exame de mamografia
Exame de mamografia

Pesquisa do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, divulgada em 28 de janeiro, indica que a proporção de mulheres entre 50 e 69 anos que já realizaram mamografia ao menos uma vez na vida cresceu de 82,8% em 2007 para 91,9% em 2024.

O levantamento aponta aumento do exame em todas as faixas etárias e níveis de instrução. O maior crescimento por idade ocorreu entre mulheres de 60 a 69 anos, passando de 81% para 93,1% no período analisado. Já em relação à escolaridade, o avanço mais significativo foi entre mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, cuja cobertura subiu de 79,1% para 88,6%.

Também houve elevação na frequência de mulheres que realizaram mamografia nos últimos dois anos, especialmente no grupo de 60 a 69 anos, que passou de 67,2% em 2007 para 74,2% em 2024.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que cerca de um quarto dos casos de câncer de mama é diagnosticado em mulheres entre 40 e 49 anos. Segundo ele, esse dado reforça a importância da ampliação do acesso ao exame nessa faixa etária, como estratégia de diagnóstico precoce no Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesta quinta-feira (5), quando é celebrado o Dia da Mamografia, o ministério reforçou que, desde setembro de 2025, a mamografia foi expandida no SUS para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas da doença. Em 2024, exames realizados em pacientes com menos de 50 anos representaram cerca de 30% do total, o equivalente a mais de 1 milhão de mamografias.

Outra mudança anunciada foi a ampliação da idade limite para o rastreamento ativo. Antes restrita até os 69 anos, a recomendação passa a incluir mulheres de até 74 anos, faixa etária que concentra quase 60% dos casos da doença, segundo o ministério.

O câncer de mama segue como o tipo mais comum e o que mais mata mulheres no Brasil. Dados da publicação Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgada no Dia Mundial do Câncer, estimam 78.610 novos casos da doença por ano no país entre 2026 e 2028.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Rio de Janeiro, Bruno Giordano, ainda é elevado o número de mulheres que chegam aos serviços de saúde em estágios avançados da doença. Segundo ele, o cenário está associado à baixa cobertura do exame em parte da população, às dificuldades de acesso à rede de atendimento e à demora entre o diagnóstico e o início do tratamento.

“O diagnóstico precoce amplia significativamente as chances de tratamento eficaz e reduz a mortalidade”, afirma o mastologista, que também ressalta a importância de hábitos saudáveis, como atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso e redução do consumo de álcool.

Giordano reforça ainda a necessidade de cumprimento da chamada Lei dos 60 Dias, que garante a pacientes com câncer o início do tratamento no SUS em até dois meses após o diagnóstico, como medida essencial para melhorar os resultados terapêuticos e a sobrevida das mulheres.

Leia mais sobre


Encontrou algum erro? Entre em contato